quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Vavílov e Lysenko - A Dialética da Vida e da Morte

Trofim Lysenko: Cientista favorecido sob o regime de Stalin cujas idéias baseadas em "ciência revolucionária" influenciaram a Grande Fome de Mao e as políticas agrícolas soviéticas que ceifaram vidas aos milhões.

Nikolái Vavílov: Cientista que procurou soluções para resolver o problema da fome. Terminou sua vida em um Gulag na era de Stalin.
 
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A crença de que há uma imobilismo de idéias condicionado por uma estrutura social que não o comunismo, faz parte de sua visão dogmática marxista, a qual enseja selecionar seletivamente a produção científica e dizer o que é "ciência revolucionária" e o que é "ciência reacionária" a fim de manter o controle estatal sobre as idéias e sobre a segurança alimentar da população, tal como foi arquitetada desde o Manifesto (Monopólio Estatal Comunicativo e Proprietativo com Controle de produção agrícola). Tal seletividade ideológica se verifica no clero comunista que prega a necessidade de controle político sobre informações objetivas que contrariam suas narrativas diante do público. Nesse sentido, Stalin e Mao não distorceram o marxismo ao promoverem suas políticas agrícolas ainda que tenha sido ao custo de vidas e contra a ciência, pois priorizaram o controle burocrático-estatal e o monopólio proprietativo (que implica também em ter monopólio de desapropriar). Uma direção que reafirma a diretriz doutrinária comunista tal como foi arquitetada por Engels-Marx. Soma-se a isso o fato terem sido anti-científicos em prol da cientificidade comunista, combatendo a ciência arbitrada como força burguesa e baseando suas decisões políticas pela primazia da doutrina marxista e da narrativa oficial do estado.

A crença histórico-mecanicista do marxismo reduz a história a uma "luta de classes" em moldes de social-economicismo sob o viés de seu projeto de poder tido por seus seguidores como inevitável fim da história (a última revelação). O que convenientemente desloca a ciência e a produção cultural como entidades sem autonomia e subalternas da política por não terem como resultado provar essa tese, mas produzir conhecimento sólido, o que nem sempre coincide com objetivos propagandísticos.

Assim sendo a produção e o acúmulo de idéias não têm em seus produtores (artistas, cientistas, historiadores), mas no clero político, a maior autoridade de saber. Visto que por deterem maior influência financeira-burocrática e poder coercitivo, são mais caracterizados como revolucionários pela visão marxista, do que aqueles que trabalham pela ciência, arte e história justamente por poder gerir o movimento de luta de classes e por poder arbitrar o que é revolucionário ou não. Em suma, o marxismo concebe seus burocratas e políticos, como a principal fonte e autoridade de poder e saber.

O comunismo é alienação em massa do conhecimento, da consciência e da história.

Pela ciência, foi necessário desafiar o reacionismo do clero católico. Hoje cabe enfrentar o imobilismo que o culto comunista impõe, em plena era da informação.

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