terça-feira, 12 de maio de 2026

Suicídio: Atentado contra à Teleologia da Vida ou Insustentabilidade Estatística na Complexidade?

Umas das principais fontes de desinformação sobre suicidabilidade parte das duas correntes mais difundidas sobre teleologia biológica (e não necessariamente completamente erradas, mas aqui, especificamente erradas) que são "formas de vidas são máquinas guiadas por uma perfeição" (o que é inspirado na admiração da complexidade e inteligência orgânica) e pela teleologia do gene egoísta (que apesar de ter sucesso em se opôr a teleologia do design, impôs a sua própria e não apenas isso, inseriu um novo dualismo, invés de corpo-espirito, inseriu gene-meme) "que as formas de vida e sua história são a gradação do acidente químico até se tornarem meios para o fim genético".

Para as "duas correntes" (a redução para duas é para fins didáticos), o suicídio seria o fenômeno anti-natural, que seria a deliberação do ser humano usando seu livre-arbítrio, ou a possibilidade de sua complexidade neurológica, para atentar contra o design, ou contra o propósito genético.

Entretanto, é válido resgatar a estatística, não necessariamente para torná-la a nova teleologia, mas para impedir que as teleologias expliquem o fenômeno do suicídio pelo automatismo da "verdade manifesta". Primeiro, em Durkheim, que fugindo da explicação fácil, reuniu informações em busca de padrões sociológicos por trás dos trágicos números de suicídio de seu tempo. E em segundo, o entendimento estatístico que Schrödinger trouxe para ajudar a esclarecer o fenômeno biológico.

Então, sabe-se aqui com exaustão o que é suicidabilidade? Não. E não será tratado aqui. Mas aqui será tratado o que não se sabe, e o que não se sabe é o automatismo da teleologia "egoísta" e da teleologia de "design" sobre o tema.

Mas como refutar as duas ao mesmo tempo? Reconhecendo a vida pelo que essa é. Mesmo o "design de imediato", teria que ter no mesmo adaptabilidade tanto no ser humano quanto em outras formas de vida, para serem compatíveis com o árbitro humano e seus efeitos no mundo, que é o princípio mutável desse esquema, a fim de sobreviverem para cumprirem propósito no imutável. Ou seja, o design, precisa admitir uma medida de caos para afirmar sua ordem, e o faz, ao afirmar livre-arbítrio e uma natureza que saiu do design e por isso sofre e vive em conflito, até que se reconciliem com o mesmo.

Agora, quanto ao "egoísmo" genético, não é o propósito inerente, mas como será demonstrado aqui, apenas uma escolha de evento dentre os fenômenos físico-químicos do universo, alguns interferindo de forma favorável e/ou contrária, outros não relevantemente (o que parecerá novo conceito, mas é apenas ortodoxia). Primeiro que o atributo em comum de material genético e material proteico é inviezar o comportamento de outras moléculas orgânicas, diferencialmente responsivas aos mesmos, o que as predispõe a diferentes ciclos químicos. Além disso, o material genético e proteico também inviezam seus pares (ou seja, a si mesmos). Segundo, a única forma de vida que poderia gerar historicidade filogenética, seria a que poderia gerar rastros passíveis de serem repetidos e modificados (e a única forma de vida que poderia gerar ciência, seria uma vida que tivesse complexidade). Ou seja, de todas as formas de vida possíveis, a passível de ser consumada é a que tem replicabilidade e capacidade de organizar material para a mesma. O que pode-se atribuir como o "princípio" de conservação e reprodução. Só que o princípio não é uma lei externa, é apenas o padrão observável do específico ciclo bioquímico que define-se como vida. Ou seja, o princípio é um recorte e um resultado. Nas várias possibilidades de emergência da vida e dos vários atributos que poderiam ter, é de se concordar que a única passível de gerar filogenia é a que tivesse capacidade reprodutiva e de "conservação" simultâneas. Ora, sendo o material genético, algo que precisa ser resistente e ao mesmo tempo flexível (aperiódico), daí a porta da complexidade (e também da "simplicidade", uma forma de complexidade que revela especialização). Portanto, o ponto comum de conservação e reprodução é apenas o viés mais reforçado da evolução e o atributo mais antigo desde a primeira forma de vida viável (relacionável ao LUCA). Com a agregação e diferenciação de outras funções, estruturas e dinâmicas das formas de vida, é de se esperar que os atributos mais reforçados e frequentes da árvore da vida, do recorte de eventos físico-químicos que se chama organismo, sejam os atributos mais estatisticamente prováveis de influenciar os outros (e dessa forma, inviezando os mesmos pela seleção a se regularem em relação a si, não excluindo influência recípocra). Assim, pode-se observar sem contradição teleológica que sim, todas as formas viáveis de vida conhecidas, possuíam na resultante de interregulação orgânica, a capacidade de reprodução e manutenção, mas não necessariamente tal reprodução e manutenção eram garantidas apenas "por nascer", ou seja, extinções, doenças genéticas e por patógenos, desenvolvimentos comprometidos, ecologias atípicas e cursos de ação com consequências letais também ocorreram, mesmo com reforço estatístico seletivo e passível de otimização que precedeu formas de vidas não mais existentes. Ao mesmo tempo, na complexidade da vida, não se observa apenas a prova "negativa" da não teleologia "egoísta". Mas também, que dentro de todos os comportamentos das formas de vida, é possível ver, singularidades não necessariamente teleologicamente "egoístas", mas esperados dentro da complexidade. Como adoções interespécie, comportamentos recreativos e criativos que se vê em humanos, mas não exclusivamente nos mesmos. Ou seja, não teleológicos, mas possibilitados pela complexidade gerada pelos motores biológicos: A complexidade precede a teleologia. (Os genes não predestinaram Beethoven à composição, mas a complexidade de interregulação dos mesmos permitiram Beethoven, o compositor, com uma possibilidade passível de existir). Patógenos, não são mais egoístas que formas de vidas complexas e animais sociais, apenas menos complexos para terem comportamentos que são possibilitados por relações metabólicas-neurológicas específicas e com maior massividade. Assim sendo, pode-se desmistificar a suposta “vilania” ou “egoísmo” dos patógenos em comparação às formas de vida complexas e aos animais sociais. Patógenos não são intrinsecamente mais egoístas; eles apenas operam em uma escala de menor complexidade, desprovidos dos comportamentos que emergem de interações metabólico‑neurais específicas. Enquanto organismos complexos investem em mecanismos de interregulação e em camadas de variabilidade regulatória, que asseguram estabilidade na flexibilidade, o patógeno atua pela simplicidade replicativa de um ciclo bioquímico direto, linear e pouco mediado. O que a teleologia clássica rotula como “egoísmo” é, na verdade, apenas o viés de conservação de um evento químico mais simples, que por não possuir multiplicidade regulatória, depende de repetição intensiva para garantir sua persistência. Portanto, a diferença entre a cooperação social humana e a agressividade viral não reside em uma distinção moral ou em um “propósito” oculto, mas na sofisticação das funções emergentes possibilitadas pela complexidade orgânica: Onde a variabilidade cria resiliência e a simplicidade replicativa sustenta a sobrevivência dos patógenos. Agora, entendendo patógenos como metáfora a processos ideativos, ideações não se replicam apenas porque são um "meme" ou "influência" anti-vida, mas apenas porque os tipos ideativos (sejam do tipo mais replicativo e/ou de maior impacto na agência da pessoa), correspondem a caminhos neurais cuja frequência suplanta outros caminhos mais favoráveis a sustentabilidade da vida, ou porque modulam outros a estarem relacionados a seu impacto na agência neurológica, ou seja, a própria personalidade e processo decisório).

E o que isso se refere ao problema do suicídio? Que é um problema de saúde, um problema social, mas não uma ruptura de design e nem uma ruptura de "funcionamento genético". Não existe uma "programação", nem de um design externo e nem de um "egoísmo" herdado, que impede que um problema de saúde como este, ponha fim na vida de algúem, ou não pondo fim irreversível, diminua a qualidade de vida, enquanto existe um processo ideativo que altera negativamente o modo de viver. Assim, entende-se que a suicidabilidade não é uma "'violação de uma lei", seja divina ou natural ou uma traição a um propósito intrínseco imposto por design ou genética. Não havendo uma teleologia automática, o fenômeno revela-se como um estado possível dentro de um sistema de alta complexidade, no qual a regulação homeostática pode ser afetada por variáveis interferentes, de "ordem" social e ambiental e de "ordem" bioquímica. Em última análise, não há uma ruptura com um design ou uma falha de uma essência 'egoísta', mas sim a cessação de um ciclo que se tornou estatisticamente insustentável para um indivíduo específico. E a humanidade não está dividida entre os "não suicidas" e dos passíveis de suicidar. Apenas entre pessoas que estão em certos contextos orgânicos e interativos em menor ou maior probabilidade de serem afetadas pela existência ou emergência desse problema. Assim é necessário tirar o suicídio como monopólio dos "especialistas em teleologia" e devolver o tema a um lugar mais apropriado: O campo da análise estrutural, da saúde pública e da solidariedade social, livre de predestinações "metafísicas" ou "naturalistas". Suicídio precisa continuar a ser pensado e investigado, porque é uma realidade triste e recorrente que precisa ser diminuída ao máximo no atual momento da história. Mas para se chegar em melhores respostas, é preciso se livrar das falsas e principalmente, das automáticas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

ERRATA definitiva sobre alternância de poder e conservação do monopólio

Quando eu digo que todo mundo deveria ser capaz de prover suas necessidades através do salário, eles dizem que sou conservador. Quando eu digo que o cartel especulativo ameaça o acesso a propriedade privada e corrói o salário, eles me chamam de comunista.

sábado, 19 de julho de 2025

Eterno Ciclo de Polarização e Decepção Política ou o Lulotrumpismo ou ERRATA DEFINITIVA SOBRE POLARIZAÇÃO

Existe um falso radicalismo na polarização. Essa exige sim máximo confronto da militância aos alvos designados, mas os que assumem o governo não exercem a radicalidade como esperado e inflado na militância: O radicalismo vira moeda de barganha na mão dos dirigentes, o comprometimento de valores é justificado pelo radicalismo da militância opositora e a necessidade de "pensar estrategicamente", os decepcionados são tratados como militância opositora e os que permanecem são exigidos a permanecerem e serem mais "radicais".


A revolução de manter as coisas como estão.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

ERRATA DA POLARIZAÇÃO II

O negativismo que Theodore Kaczynski descreveu uma tônica dominante da esquerda do século passado já não é mais exclusividade da mesma no mundo pós-digital. Na era da polarização, todos os lados do espectro, em seus vieses ideológicos específicos, maximizam a psicologia negativista, sobressocializam e sobreisolam seus membros (demandas políticas de adesão e propagandização extrema geram tanto excesso e falta no modo de socialização, desestabilizando a organicidade das redes de apoio societárias). Esse negativismo e visão de "inferno na terra se existem os outros" é um meio para o fim monopolista. Visto que se o "outro lado" representa a completa desestabilização política e moral, a única escolha a ser valuada como "do bem" é a de buscar o controle monopolista, de forma a não deixar que o grande mal se perpetue ou volte, além de justificar que uma maior dose de poder (abolindo as teses democráticas de alternância do poder como dinâmica importante) é necessária para reparar os "grandes períodos de tempos de caos dos outros" bem como garantir o sucesso salvacionista da visão "correta".

As divergências ideológicas podem até ter se acirrado comparado a segunda metade do século passado, mas a concordância sobre a regra de disputa política não: Todos concordam em disputar por tudo ou nada. Todas as utopias políticas aspiram a ser uma distopia Orwelliana.

domingo, 20 de abril de 2025

ERRATA DA POLARIZAÇÃO OU... A MELHOR IDEIA POLÍTICA SEMPRE VENCE NO FINAL

Vive-se na era da polarização? Ou a era da irracionalidade?

O debate político que teoricamente era feito "no passado" foi substituído pelo debate irracional, por mero avanço das forças monopolistas, visto que defender maximização de poder sem contrato com retorno aos cidadãos (Ou seja, o retorno apenas é reafirmação ideológica e combate "aos outros", não retorno em acesso proprietativo e societário) exige a negação e a recusa de atualização sobre a realidade. Daí a proibição política de escutar o contraditório ainda que competitivamente, restando apenas o debate de quem e o que é dos grupos afins e grupos contrários. E o monopólio sobrevive não com competitividade, mas com supressão da mesma, abolindo as leis da melhor ideia pelo mais livre debate, livre iniciativa, maior e melhor produtividade, evolução da qualidade de serviços e produtos e geração de acesso a renda (quando a restrição a renda, serviços, produto, informação e comunicação é passível de lucro financeiro e/ou político, não espere que o monopólio não escolherá essa opção).

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Os limites da liberdade do capital individual

Quanto de inflação o capital individual paga ao capital (inter)estatal [não apenas a relação do governo federal com as esferas estaduais e municipais, mas também a relação do capital determinada pelas relações políticas entre governos de outras nações, o que fica claro na atual era Trump 2.0 vs Xin Jinping 2.0) e quanto de inflação o capital individual paga ao capital corporativo? Quanto de inflação o capital individual paga pela resultante de cooperação e competição entre governo(s) e corporação(ões)? Do que sobra, qual seu real poder de compra e investimento que lhe possa resultar em efetivo acesso socioeconômico?

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A dissociação entre apresentação de intenções políticas e a busca por fins políticos é condição fundamental e não apenas hipocrisia da política monopolista pós-digital.

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quinta-feira, 17 de abril de 2025

ERRATA DA LUTA DE CLASSES ou "O melhor momento para investir é quando há sangue nas ruas"

"Lutas de classes" hipnocráticas, incentivadas e lucradas por forças monopolistas são feitas para parecer lutas de classes legítimas enquanto efetivam de fato o dividir e conquistar que mantém uma restrição significativa de acesso proprietativo e societário à maioria da população enquanto beneficia a classe monopolista.

Qualquer luta de classe que afeta a classe monopolista nominalmente, é apenas mero liberalismo.

ERRATA DA INTERVENÇÃO 2

Corporações são entidades políticas e Governos são entidades econômicas (mesmo quando se dizem "mínimos").

É inútil tratar economia de forma apolítica tanto quanto tratar governo como força intangível a economia.

Também é igualmente inútil pensar que governos e corporações estão sempre em "luta de classes", como se fosse impossível esses cooperarem entre si para formar monopólios onde suas forças políticas e econômicas sejam maximizadas.