Um fenômeno presente nas sociedades pós-industriais, seja comunista ou neoliberal é a preocupação com a taxa de fertilidade. Não é apenas uma simples questão generacional como os boomers pensam a respeito dos millennials (o único ponto em que a crítica boomer aos millennials está errada). De fato, millennials vivenciaram mais crises econômicas que a geração antecessora e a economia hiperinflacionada se tornou um contínuo a despeito da dança política de esquerda e direita.
Qual o credo comum das sociedades pós-industriais comunistas e neoliberais? O credo do eterno débito que visa a desapropriação cultural, política e econômica (ou seja, uma desapropriação total e não apenas financeira) seja de forma progressiva e/ou radical afim de constituir o Banco-Estado, tal modelo de sociedade é por natureza predatório do sistema de confiança e solidariedade.
Cidadãos podem ser motivados a trabalhar em sistemas predatórios, as sociedades comunistas e neoliberais não fracassaram em produtividade, ao contrário, a produtividade está em nível tão avançado e tão avançável que no século XXI se discute seriamente a redução da produtividade, corrente de pensamento inconcebível para os séculos anteriores. O esquema de emulação seja em nome do status "individualista" do neoliberalismo ou do status de "coletivismo" do comunismo é ainda a tônica do sucesso produtivo, potencializado ainda pelos mantras de "sociedade da informação" onde a produtividade deve ser constantemente atualizada. Por fim, na dimensão estritamente econômica da atual Guerra Fria (liderados por China e EUA), tanto o comunismo quanto o capitalismo estão relativamente empatados na questão de produção maciça com alto valor tecnológico.
Entretanto, motivar os cidadãos em reproduzir tem sido o fracasso. O credo da constituição da família é a confiança, é ato de fé. As pessoas podem aceitar viver sob uma lógica predatória nas sociedades pós-industriais, mas repassar tal visão e herança niilista é algo até contra a lógica natural de proteger a prole: Reproduzir a espécie num sistema anti-espécie? Qualquer espécie comporta a competição de forma que não extinga a cooperação, mas não quando essa se automatiza em inimiga de si mesma. O aumento da produtividade atrelado a predação da confiança e solidariedade tem sido o ponto em que as sociedades pós-industriais comunistas e neoliberais usam para subsistência, excedência e confronto.
O colapso das sociedades pós-industriais que não recuperarem a um nível suficientemente salutar o sistema de confiança e solidariedade e que não reduzirem (não apenas com mudanças superficialmente ideológicas, mas efetivamente) o nível predatório no qual tentam basear sua prosperidade e força bélica, é iminente.
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