quinta-feira, 24 de abril de 2025

ERRATA DA POLARIZAÇÃO II

O negativismo que Theodore Kaczynski descreveu uma tônica dominante da esquerda do século passado já não é mais exclusividade da mesma no mundo pós-digital. Na era da polarização, todos os lados do espectro, em seus vieses ideológicos específicos, maximizam a psicologia negativista, sobressocializam e sobreisolam seus membros (demandas políticas de adesão e propagandização extrema geram tanto excesso e falta no modo de socialização, desestabilizando a organicidade das redes de apoio societárias). Esse negativismo e visão de "inferno na terra se existem os outros" é um meio para o fim monopolista. Visto que se o "outro lado" representa a completa desestabilização política e moral, a única escolha a ser valuada como "do bem" é a de buscar o controle monopolista, de forma a não deixar que o grande mal se perpetue ou volte, além de justificar que uma maior dose de poder (abolindo as teses democráticas de alternância do poder como dinâmica importante) é necessária para reparar os "grandes períodos de tempos de caos dos outros" bem como garantir o sucesso salvacionista da visão "correta".

As divergências ideológicas podem até ter se acirrado comparado a segunda metade do século passado, mas a concordância sobre a regra de disputa política não: Todos concordam em disputar por tudo ou nada. Todas as utopias políticas aspiram a ser uma distopia Orwelliana.

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