quarta-feira, 23 de março de 2016

Sobre Multiculturalismo em Tempos de Islamofascismo

   Existe suficiente convicção de convivência pacífica entre diferentes culturas na Democracia. O multiculturalismo político, apesar do que aparenta, tende a florescer o monoculturalismo, na medida em que faz concessões de conquistas democráticas em prol de atender demandas inalcançáveis de "minorias", posto que sempre há de se atender uma em detrimento de outra. Estabelece que o sistema de justiça no pacto social constituído em rito democrático nunca é suficiente e portanto, aponta uma necessidade de fazer justiça em contínuo regime de exceção. Favorecendo o regime de exceção e atendimento unilateral de demandas, a "minoria" mais beneficiada é justamente a que mais demanda e se julga excepcional a outras. A reação contra o totalitarismo é minada, visto que se for oriunda de uma "minoria", suas pretensões de hegemonia social devem indicar que a sociedade como um todo deva atender a mais demandas, ao invés de se entender que as demandas de uma parte não podem estar acima das demandas de todos, sendo que apenas dentro destas é que poderia-se encontrar a devida legitimidade. Suplanta também qualquer base ética sustentável, visto que desfaz a relação simbiótica entre deveres e direitos. Tendo estas em categorias sociais separadas e válidas por si mesmas, podem ser distribuídas unilateralmente e contra o senso de proporção, aos diferentes grupos. Emula-se também, um eterno sentido de reparação histórica justificável por si mesma ao grupo com status de minoria, sem que a dita reparação histórica possua ou não o devido respaldo histórico e além disso, o revisionismo histórico deverá entrar em ação para benefícios das retóricas que arbitram as informações convenientes e para a deslegitimação da razão baseada em fatos (uma constante dos tempos atuais, vale ressaltar). Neste sentido, não poderá causar estranhamento que minorias precisem ser protegidas igualmente contra a "fobia genérica", a despeito de qualquer verificação afim de estabelecer se de fato foram oprimidas, ou foram opressoras. Em última análise, o multiculturalismo político nunca irá se opor ao totalitarismo, se este possuir ares de alteridade e vitimismo (vitimismo, vale lembrar, uma constante na retórica de grupos que se dispuseram a fazer atrocidades em nome da justiça autojustificável ao longo das páginas tristes da história) e portanto deve ser alvo constante de benefícios a demandas particulares ao custo público, com status de público sem jamais o ser. O multiculturalismo insere-se assim, no mesmo rol de elites e sistemas opressores que se articularam e se articulam contra noções de justiça mais abrangentes para atender sua noção muito particular do que é socialmente justo, ao mesmo tempo que parece ver, sua imagem refletida entre as pessoas que lutaram e lutam a favor das melhores convicções humanistas. O problema maior é que este Narciso, não se contentará em se afogar sozinho.

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