"O casamento como uma longa conversa.
Ao iniciar um casamento, o homem deve se colocar a seguinte pergunta: você acredita que gostará de conversar com esta mulher até na velhice? Tudo o mais no casamento é transitório, mas a maior parte de tempo é dedicada à conversa."
Nietzsche
Nessa frase Nietzsche demonstrou ter autoridade intelectual sobre o assunto porque emitiu uma observação válida sobre o mesmo. O que não é invalidado por não ter autoridade moral no sentido objetivo de que biograficamente o autor da frase não apresenta quantidade de elementos e nuances comportamentais num nível suficiente que ao serem emulados por outros resultarão no que entendemos por uma boa gerência de relacionamentos saudáveis e desejáveis. No caso de buscar uma autoridade moral para reflexão comportamental sobre a dinâmica do casamento, certamente seria preferível eleger Lemmy Kilmister que apresenta em sua biografia sucesso em relacionamentos com as mulheres. Entretanto não é razão para que se pregue a absolutez da razão a despeito da vida, visto que é inegável que o cérebro é mais eficaz quando saudável (saúde consciencial incluso) para o exercício intelectual.
Por outro lado, nem sempre autoridade moral é suficiente para ser sucedido em questões que demandam capacidade intelectual. Exemplifiquemos isso com um pai que foi suficientemente sucedido como marido e quer persuadir o filho a deixar de ser solteiro e casar. Apresentar o argumento "se eu fiz você vai fazer também" pode ter pouca probabilidade de persuadir o filho, principalmente se considerarmos o contato do mesmo com argumentos socialmente difundidos que defendem estar solteiro como moralmente emancipador e ético e definem o casamento como um sistema replicador de injustiças sociais. Ou seja se o pai desejasse persuadir melhor o filho, teria que aprofundar de forma intelectualmente mais elaborada a própria experiência de vida e elucidar melhor os valores do casamento, sabendo lidar com mais propriedade contra as objeções mais socialmente destacadas afim de aumentar o seu poder de influência. Goste-se ou não, da mesma forma que o poder intelectual pode sofrer diminuição quando a biografia dos pensadores de certas correntes mostram que esses possuíram comportamentos tidos por detestáveis, a recíproca é também verdadeira: Mesmo o poder moral de quem possui uma biografia socialmente desejável pode ter sua influência diminuída caso se demonstre seus equívocos na maneira de pensar e sua deficiência informativa.
Tendo dito isto eis as questões: Desenvolvemos intelectualmente aprendendo apenas com os anjos? Temos de ser ovelhas no entendimento para enfrentarmos as leis e os mandamentos dos porcos da fazenda?
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P.E: No plano fora da utopia do conservadorismo, a mais-moralia não compra créditos de licença moral da mesma forma que na além-utopia do liberalismo o título de intelectual não é suficiente para comprar isenção factual.
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